terça-feira, 17 de março de 2026

PARQUES NACIONAIS DO BRASIL




 

SONS DA NATUREZA - MAR


 

ARTIGO DE WLADMIR COELHO

 

PETRÓLEO, PODER E TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: A GEOPOLÍTICA DO ESTREITO DE ORMUZ

Wladmir Coelho

Mestre em Direito e Historiador


O texto analisa a centralidade geopolítica do Estreito de Ormuz na história do capitalismo e no controle internacional do petróleo. A partir de exemplos históricos, demonstra a continuidade do interesse imperial desde o período mercantil português até a estratégia contemporânea dos Estados Unidos. Discute também como o petróleo se tornou base material do desenvolvimento industrial e elemento central do poder econômico global. Em seguida, examina o surgimento do discurso eco-capitalista e sua relação com a subordinação tecnológica dos países subdesenvolvidos. Conclui que a atual transição energética mantém a lógica de reprodução do sistema econômico e da exploração da natureza.

O “desejo” de substituição dos combustíveis fósseis por fontes com menor grau de emissão de CO₂ representa uma realidade em nossos dias? A resposta está no noticiário mundial e geograficamente localizada no Estreito de Ormuz, uma região tradicionalmente disputada por impérios. Inicialmente, precisamos apresentar uma introdução das relações do chamado Ocidente com o Estreito de Ormuz, que representa – tradicionalmente – um ponto importante para os interesses comerciais e, desde o século XVI, o capitalismo – naquele momento em sua fase mercantil – disputa o seu controle.

Essa condição fica melhor ilustrada quando recordamos que o império português ocupou e construiu, em uma das ilhas da região, uma fortaleza militar, e por lá permaneceu por mais de 100 anos, movido pelo interesse em exercer o monopólio do comércio do Oriente com a Europa. Com o passar do tempo e a evolução do modo de produção capitalista, vamos observar, em meados do século XIX, o império britânico consolidando o controle da região e, no início do século seguinte, Winston Churchill – então Lorde do Almirantado – transformando o domínio da região em questão de segurança nacional.

Curiosamente, os Estados Unidos apresentam, para o grande público do século XXI, o mesmo argumento utilizado – com sucesso – pelo antigo Lorde do Almirantado, revelando a continuidade da prática de transubstanciação do conceito de segurança nacional em meios para garantir o controle do petróleo, independentemente de sua localização geográfica, gerando, desse modo, acordos e legislações nacionais e internacionais, todos oferecendo ao conceito de soberania nacional – para os países subdesenvolvidos, principalmente – uma subordinação aos interesses do imperialismo, cobertos de forma tímida pelo véu do discurso da liberdade de mercado, dos valores ocidentais e outros tantos balangandãs eufemísticos.

E a transição energética? Bom, antes de qualquer aprofundamento quanto à transição energética, devemos recordar que a consolidação do modelo industrial efetivou-se a partir dos combustíveis fósseis, assumindo o petróleo, no século XX, a condição de base da produção, revelando-se como combustível e matéria-prima para todos os setores. Não é preciso aprofundar muito esses aspectos para perceber que o controlador desse recurso – não apenas o proprietário em sua condição natural, mas aquele em condições de processá-lo para as suas múltiplas utilizações – torna-se um poderoso agente controlador do poder econômico do petróleo.

Esse poder econômico foi determinante para o desenvolvimento de toda a tecnologia produtiva, revelando, historicamente, uma metamorfose entre o petróleo e o capitalismo, levantando esta constatação a seguinte questão: é possível uma transição energética sem uma mudança da forma de produção? Qual a transformação a ser iniciada em primeiro lugar?

Desde o final da década de 1960, quando os maiores industriais e banqueiros do planeta, reunidos no Clube de Roma, constataram que os recursos naturais, e notadamente o petróleo, encontravam-se nos países mais atrasados economicamente, o discurso eco-capitalista passou a defender a “racionalização” da exploração ambiental, pautado na ampliação das técnicas decorrentes da tecnologia dos países industrializados, residindo neste ponto um importante fator de subordinação. Em outras palavras, os países subdesenvolvidos foram submetidos à aplicação de soluções de produção – e, por consequência, ambientais – importadas dos países dominantes, impedindo a plena utilização de suas potencialidades naturais, inclusive a utilização de formas alternativas aos combustíveis fósseis.

A chamada transição energética de nossos dias segue esse padrão e, mesmo que se apresente ao lado de termos, a exemplo de sustentabilidade, respeito às tradições locais e outros, encontra-se fundada nos interesses da reprodução de um modelo econômico voltado à maior exploração possível do trabalho e, por consequência, da natureza.

sábado, 7 de março de 2026

MINAS GERAIS EM 1950




Escravizados urbanos coletando água no Brasil da década de 1830

Sobre a história, o registro de fatos acontecidos há várias versões ou realidades. Estes documentários que postamos sobre Minas Gerais, com certeza expressam visões sobre a história. Vale o desafio de dispor de todos olhares e versões. Para que haja uma justa educação socioaambiental. Na verdade, a sociologia parte de visões sobre a realidade, sobre as sociedades, as relações humanas, sociais, ambientais historicamente vivenciadas.



 

OURO PRETO em 1730 - documentário

Foto: divulgação


O Jornal Oecoambiental publica uma série de pesquisas sobre a história de Minas Gerais. São trabalhos baseados em documentários, pesquisas, fatos históricos, registrados e ainda por registrar. De onde viemos, para onde vamos ? A história é a possibilidade de aprender para construir o futuro. Minas Gerais é um estado emblemático na história do Brasil. Ouro Preto é o centro histórico do nome deste estado de "Minas" do ouro. Questões postas hoje podem encontrar respostas no passado. Como pode um estado e um país que extraiu tanto ouro a custa de um passado de escravidão e sofrimentos da maioria dos escravizados que constituíam no século XVIII, mais de 80% da população local, em Ouro Preto,  conviver com tantas desigualdades ainda no século XXI?
Respostas existem. Questionamentos são muitos. Conhecer a história é conhecer e construir possibilidades para o futuro.


 

segunda-feira, 2 de março de 2026

ADRIANA ARAÚJO SOBRE O SAMBA, O MEIO AMBIENTE


 

ADRIANA ARAÚJO - GRATIDÃO

 GRATIDÃO  RAINHA DO SAMBA ADRIANA ARAÚJO

Foto: divulgação

 Existem pessoas que nascem para iluminar os caminhos dos seres humanos. Pessoas cuja essência é a bondade, a generosidade, a fraternidade. Que doam suas melhores energias para que as pessoas valorizem a vida,  as Raízes culturais, os momentos de presença neste mundo. A artista, grande Rainha Sambista  - Adriana Araújo foi uma destas pessoas, uma mulher honrada, que dignificou a arte e sabedoria do Samba com toda sua competência artística e compromisso com a cultura brasileira, Afromineira, Afrobrasileira. 






  A cultura do Samba de Belo Horizonte está entristecida pela passagem repentina de Adriana Araújo e só tem a agradece-la pela sua luz maravilhosa e convivência nas Rodas de Samba com a eterna Rainha do Samba de BH. 

   A sua dedicação a valorização do Samba é um exemplo de vida, que pela sua graça e beleza, que sempre iluminou nossos caminhos,  com certeza, será sempre lembrada em todas as Rodas de Samba de Belo Horizonte. 

     NOSSA GRATIDÃO A ETERNA RAINHA DO SAMBA DE BH ADRIANA ARAÚJO