quarta-feira, 27 de outubro de 2021

RECORDE DE GASES DE EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA

 Fonte: ONU BRASIL

Novo boletim da Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta sobre a quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera. O gás carbônico (CO2), por exemplo, chegou a 149% acima do nível pré-industrial no ano passado.

Embora a crise da COVID-19 tenha desencadeado um declínio temporário nas emissões, ela não teve impacto perceptível nos níveis atmosféricos de gases de efeito estufa ou em suas taxas de crescimento. A concentração desses gases em 2020 ultrapassou a média do planeta entre 2011 e 2020 e os níveis continuaram a subir em 2021. 

A última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável com a atual de CO2 foi de três a cinco milhões de anos atrás, quando a temperatura estava entre 2 e 3°C mais alta e o nível do mar estava entre 10 e 20 metros mais alto do que agora. “Mas não havia 7,8 bilhões de pessoas naquela época”, alertou o diretor da OMM, Petteri Taalas.

emissão de poluição por termoelétricas
Legenda: Dada a longa vida do CO2, o nível atual de temperatura persistirá por décadas, mesmo se as emissões líquidas forem rapidamente reduzidas a zero
Foto: © Kouji Tsuru / Unsplash

No ano passado, os gases de efeito estufa que aprisionam o calor atingiram um novo recorde, ultrapassando a média do planeta 2011-2020, e continuaram a subir em 2021, de acordo com um novo relatório publicado na segunda-feira (25) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O Boletim de Gases de Efeito Estufa contém uma “mensagem científica radical” para as negociações sobre mudanças climáticas na próxima conferência climática da ONU, conhecida como COP26 , em Glasgow, disse Petteri Taalas, o chefe da agência meteorológica da ONU.

“No atual ritmo de aumento das concentrações de gases de efeito estufa, veremos um aumento de temperatura até o final deste século muito acima das  metas do Acordo de Paris de 1,5º a 2º acima dos níveis pré-industriais”, explicou ele ao lamentar: “Estamos muito fora do caminho.”

Emissões aumentando - A concentração de dióxido de carbono (CO2) em 2020 era 149% acima do nível pré-industrial; a de metano, 262%; e a de óxido nitroso, 123%. A comparação é feita em relação ao ponto em que a atividade humana começou a ser um fator desestabilizador.

Embora a desaceleração econômica impulsionada pelo coronavírus tenha desencadeado um declínio temporário nas novas emissões, ela não teve nenhum impacto perceptível nos níveis atmosféricos de gases de efeito estufa ou em suas taxas de crescimento. À medida que as emissões continuam, o mesmo ocorre com o aumento das temperaturas globais, revela o relatório.

Além disso, dada a longa vida do CO2, o nível atual de temperatura persistirá por décadas, mesmo se as emissões líquidas forem rapidamente reduzidas a zero. 

De intenso calor e chuvas ao aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos, o aumento das temperaturas será acompanhado por mais extremos climáticos - todos com impactos socioeconômicos de longo alcance.

“A última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável de CO2 foi de três a cinco milhões de anos atrás, quando a temperatura estava 2-3 °C mais alta e o nível do mar estava 10-20 metros mais alto do que agora”, afirmou o chefe da OMM. “Mas não havia 7,8 bilhões de pessoas naquela época”. 

CO2 remanescente - Dados do Boletim revelam que aproximadamente metade do CO2 emitido pelo homem atualmente permanece na atmosfera e a outra metade é absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres.

Legenda: O aumento das temperaturas significa mais extremos climáticos, incluindo calor intenso e chuvas, derretimento do gelo, aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos
Foto: © Caio Graco/OMM

Ao mesmo tempo, a capacidade dos ecossistemas terrestres e dos oceanos de absorver as emissões pode se tornar um amortecedor menos eficaz contra os aumentos de temperatura no futuro.

Enquanto isso, muitos países estão definindo metas de neutralidade de carbono em meio à esperança de que a COP26 verá um aumento dramático nos compromissos internacionais.

“Precisamos transformar nosso compromisso em ações que impactem os gases que impulsionam as mudanças climáticas. Precisamos revisitar nossos sistemas industriais, de energia e transporte e todo o modo de vida ”, disse o funcionário da OMM.  

“As mudanças necessárias são economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis”, garantiu Taalas. “Não há tempo a perder”.

Combatendo as emissões - O relatório aponta os principais gases de efeito estufa e algumas ações que poderiam ser tomadas para reduzir a emissão e a concentração desses gases na atmosfera.

O CO2 é o gás de efeito estufa mais importante e tem “grandes repercussões negativas para nossa vida diária e bem-estar, para o estado de nosso planeta e para o futuro de nossos filhos e netos”, argumentou o chefe da OMM.

Os sumidouros de carbono são reguladores vitais da mudança climática porque removem um quarto do CO2 que os humanos liberam na atmosfera.

O óxido nitroso é um poderoso gás de efeito estufa e um químico destruidor da camada de ozônio, emitido na atmosfera por fontes naturais e antropogênicas, incluindo oceanos, solos, queima de biomassa, uso de fertilizantes e vários processos industriais.

Os múltiplos benefícios da redução do metano, cujo gás permanece na atmosfera por cerca de uma década, poderiam apoiar o Acordo de Paris e ajudar a alcançar muitos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), é o que aponta o Boletim.

METAS ATUAIS DEVEM ELEVAR EM 2,7º A TEMPERATURA DA TERRA

Fonte: ONU - BRASIL

   Novas e atualizadas Contribuições Nacionalmente Determinadas só retiram 7,5% das emissões previstas para 2030, enquanto é necessário 55% para atingir a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento a 1,5°C.

As últimas promessas climáticas para 2030 colocam o mundo no caminho para um aumento da temperatura neste século de pelo menos 2,7°C, de acordo com o último Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2021 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Compromissos de emissões líquidas zero (net-zero, em inglês) poderiam reduzir outros 0,5°C, se estes compromissos fossem robustos e se as promessas de 2030 fossem coerentes com os compromissos de emissões líquidas zero.

A poluição do ar pelas usinas de energia
Legenda: São necessárias reduções de 30% nas emissões para permanecermos no caminho de menor custo para a meta de 2°C e 55% para a de 1,5°C
Foto: © Marek Piwnicki/Unsplash

Novos e atualizados compromissos climáticos ficam muito aquém do que é necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris, deixando o mundo no caminho para um aumento da temperatura global de pelo menos 2,7°C neste século, de acordo com o último Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2021 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA): O Aquecedor está Ligado.

O relatório, agora em sua 12º edição anual, conclui que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) atualizadas dos países, juntamente com outras promessas de mitigação anunciadas para 2030 mas ainda não submetidas como NDCs atualizadas, apenas retiram um adicional de 7,5% das emissões anuais de gases de efeito estufa previstas para 2030 quando comparamos com a rodada anterior de compromissos. São necessárias reduções de 30% para permanecermos no caminho de menor custo para a meta de 2°C e 55% para a de 1,5°C.

"Menos de uma semana antes da COP26 em Glasgow, ainda estamos no caminho para a catástrofe climática", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma coletiva de imprensa sobre o documento.

"A lacuna de emissões é o resultado de uma lacuna de liderança. Mas os líderes ainda podem fazer disso um ponto de virada para um futuro mais verde em vez de um ponto de inflexão para uma catástrofe climática. A era de medidas pela metade e promessas vazias precisa acabar", afirmou Guterres.

Lançado antes da 26a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP26, que é a mais recente rodada de negociações climáticas, realizada em Glasgow, o relatório descobre que os compromissos de emissões líquidas zero (net-zero, em inglês) poderiam fazer uma grande diferença. Se totalmente implementados, estes compromissos poderiam reduzir a previsão de aumento da temperatura global para 2,2°C – trazendo, assim, esperança de que novas ações ainda podem evitar os impactos mais catastróficos da mudança climática. Entretanto, as promessas de emissões líquidas zero ainda são vagas, incompletas em muitos casos e inconsistentes com a maioria das NDCs até 2030.

"A mudança climática não é mais um problema futuro. É um problema do agora. Para termos uma chance de limitar o aquecimento global a 1,5°C, temos oito anos para reduzir quase pela metade as emissões de gases de efeito estufa: oito anos para fazer os planos, colocar em prática as políticas, implementá-las e, em última instância, fazer os cortes. O relógio está correndo muito rápido”, disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen.

Em 30 de setembro de 2021, 120 países representando pouco mais da metade das emissões globais de gases de efeito estufa haviam comunicado suas novas ou atualizadas NDCs. Além disso, três membros do G20 anunciaram outras novas promessas de mitigação para 2030.

Para ter uma chance de limitar o aquecimento global a 1,5°C, o mundo precisa de oito anos para retirar 28 gigatoneladas adicionais de CO2 equivalente (GtCO2e) das emissões anuais, além do que é prometido nas NDCs atualizadas e outros compromissos para 2030. Quando todos os demais gases de efeito estufa são considerados, as emissões ficam próximas de 60 GtCO2e. Assim, para ter uma chance de alcançar a meta de 1,5°C, precisamos cortar praticamente metade das emissões de gases de efeito estufa. Para a meta de 2°C do Acordo de Paris, a necessidade adicional é menor: uma queda nas emissões anuais de 13 GtCO2e até 2030.

O novo presidente da COP26, Alok Sharma, disse que o relatório destaca o motivo pelo qual os países precisam mostrar ações climáticas ambiciosas na COP26: "Como este relatório aponta, se os países cumprirem seus NDCs para 2030 e os compromissos de emissões líquidas zero que foram anunciados até o final de setembro, estaremos caminhando para aumentos médios da temperatura global de pouco mais de 2°C. Análises complementares sugerem que os compromissos assumidos em Paris teriam limitado o aumento da temperatura a menos de 4°C.

"Portanto, houve progresso, mas não o suficiente. É por isso que precisamos que, especialmente os maiores emissores, as nações do G20, assumam compromissos mais fortes até 2030 se quisermos que seja possível manter 1,5°C no alcance durante esta década crítica", acrescentou Sharma.

Foco nas emissões líquidas zero - De acordo com os autores, as promessas de emissões líquidas zero - e suas execuções efetivas - poderiam fazer uma grande diferença, mas os planos atuais são vagos e não estão refletidos nas NDCs. Um total de 49 países mais a União Europeia se comprometeram com metas de emissões líquidas zero. Isso cobre mais da metade das emissões domésticas globais de gases de efeito estufa, mais da metade do PIB e um terço da população global. Onze metas estão consagradas em lei, cobrindo 12% das emissões globais.

Se forem robustas e implementadas integralmente, as metas de emissões líquidas zero poderiam reduzir o aquecimento global em mais aproximadamente 0,5°C, reduzindo o aumento previsto da temperatura para 2,2°C. Entretanto, muitos dos planos climáticos nacionais postergam a ação para depois de 2030, levantando dúvidas se as promessas de neutralidade climática podem ser cumpridas. Doze membros do G20 se comprometeram com uma meta de emissões líquidas zero, mas elas ainda são altamente ambíguas. A ação também precisa ser antecipada para chegar às metas de 2030.

"O mundo tem que acordar para o perigo iminente que enfrentamos como espécie. As nações precisam implementar as políticas para cumprir seus novos compromissos, e começar já nos próximos meses. Elas precisam tornar seus compromissos de neutralidade climática mais concretos, garantindo que sejam incluídos nas NDCs e que as ações sejam apresentadas. Em seguida, precisam colocar as políticas em prática para apoiar esta ambição elevada e, novamente, começar a implementá-las urgentemente”, afirmou Andersen.

"É também essencial fornecer apoio financeiro e tecnológico às nações em desenvolvimento - para que possam se adaptar aos impactos já em curso da mudança climática e se lançar em um caminho de crescimento de baixas emissões", complementou.

Potencial do metano e dos mecanismos de mercado - Todos os anos, o Relatório sobre a Lacuna de Emissões examina o potencial de setores específicos. Neste ano, ele se concentra no metano e nos mecanismos de mercado. A redução das emissões de metano dos setores de combustíveis fósseis, resíduos e agricultura pode contribuir para fechar a lacuna de emissões e reduzir o aquecimento no curto prazo.

As emissões de metano são o segundo maior vetor do aquecimento global. O gás tem um potencial de aquecimento global 80 vezes superior ao do dióxido de carbono em um horizonte de 20 anos; também tem uma vida útil na atmosfera menor que o dióxido de carbono – de apenas doze anos em comparação com até centenas para o CO2. Portanto, os cortes no metano limitarão o aumento da temperatura mais rapidamente que os cortes no dióxido de carbono. 

Somente as medidas técnicas disponíveis de baixo ou nenhum custo poderiam reduzir as emissões antropogênicas de metano em cerca de 20% ao ano. A implementação de todas as medidas, juntamente com medidas estruturais e comportamentais mais amplas, poderia reduzir as emissões antropogênicas de metano em aproximadamente 45%. 

Os mercados de carbono, por sua vez, têm o potencial de reduzir custos e, assim, incentivar compromissos de redução mais ambiciosos, mas somente se as regras forem claramente definidas, concebidas para assegurar que as transações reflitam as reduções reais de emissões, e sejam apoiadas por acordos para acompanhar o progresso e proporcionar transparência.

As receitas obtidas através destes mercados poderiam financiar soluções de mitigação e adaptação a nível interno e em nações vulneráveis, onde os encargos da mudança climática são maiores.

Oportunidade de recuperação da COVID-19 foi perdida - O relatório conclui que a oportunidade de usar o resgate fiscal e os gastos com a recuperação da COVID-19 para estimular a economia e, ao mesmo tempo, apoiar a ação climática, foi perdida na maioria dos países.

A pandemia da COVID-19 levou a uma queda nas emissões globais de CO2 de 5,4% em 2020. Entretanto, espera-se que as emissões de CO2 e de outras emissões em 2021 aumentem novamente para um nível apenas ligeiramente inferior ao recorde de alta em 2019.

Apenas cerca de 20% do total dos investimentos de recuperação até maio de 2021 deverão reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Destes gastos, quase 90% são de seis membros do G20 e um convidado permanente. 

Os gastos da COVID-19 têm sido muito menores nas economias de baixa renda (60 dólares por pessoa) do que nas economias avançadas (11.800 dólares por pessoa). As lacunas nas finanças provavelmente agravarão as lacunas nas nações vulneráveis em matéria de resiliência climática e medidas de mitigação.

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) - O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional no tema, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como defensor do meio ambiente no mundo. Sua missão é prover liderança e encorajar parcerias na proteção do meio ambiente, inspirando, informando e permitindo que países e pessoas melhorem sua qualidade de vida sem comprometer as futuras gerações.

Acesse o relatório completo: 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

SONS DA NATUREZA

https://www.youtube.com/watch?v=BP9eV-QAsac 




OMS - SOLICITA OPORTUNIDADES MAIS JUSTAS DE ACESSO ÀS ATIVIDADES FÍSICAS SEGURA S

QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS


FONTE: ONU - BRASIL

    As diretrizes para a construção de um novo sistema de atividades físicas estão presentes em um documento de apoio lançado  durante um webinar que discute o impacto da COVID-19 no esporte e na atividade física. 

   O relatório responde ao apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, para que a comunidade global implemente soluções eficazes, especialmente para apoiar crianças, idosos e pessoas com deficiência rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Legenda: As estatísticas da OMS revelam que um em cada quatro adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam atividade física suficiente
Foto: © Karina Zambrana/OPAS/OMS

 A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu aos tomadores de decisão nos setores de saúde, esporte, educação e transporte para ampliar urgentemente a oferta de programas e serviços mais inclusivos e ambientes mais seguros que promovam a atividade física em todas as comunidades. O novo documento de apoio da Organização, “Fair Play: Building a strong physical activity system for more active people”, explica como isso pode acontecer.

“Há uma necessidade urgente de proporcionar às pessoas melhores oportunidades de viver uma vida ativa e saudável. Hoje, a possibilidade de as pessoas participarem de atividades físicas é desigual e injusta. Essa desigualdade só piorou durante a pandemia de COVID-19”, disse Zsuzsanna Jakab, diretora-geral adjunta da OMS. 

“É por isso que a OMS está intensificando ações com seus parceiros em todo o mundo para enfrentar as principais barreiras que impedem as pessoas de se tornarem mais ativas e saudáveis.”

Até 5 milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população global fosse mais ativa. No entanto, muitos vivem em áreas com pouco ou nenhum acesso a espaços onde possam caminhar, correr, andar de bicicleta ou praticar outras atividades físicas com segurança. Onde existem oportunidades, elas podem não ter sido desenvolvidas para atender às necessidades de pessoas idosas ou com deficiência.

As estatísticas da OMS revelam que um em cada quatro adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam atividade física suficiente. As mulheres são menos ativas do que os homens, com uma diferença de mais de 8% a nível global (32% homens e 23%, mulheres). Os países de alta renda são mais inativos (37%) em comparação com os países de média renda (26%) e os de baixa renda (16%).

O documento de apoio Fair Play está sendo lançado durante o webinar final da OMS em uma série convocada para discutir o impacto da COVID-19 no esporte e na atividade física. O documento destaca os principais desafios e oportunidades de como os países podem construir um sistema esportivo e de atividade física mais justo, e pede a todos os parceiros que fortaleçam as colaborações e apoiem os países a escalar ações para promover a atividade física em todas as suas formas, para todas as idades e habilidades.

Fiona Bull, chefe da Unidade de Atividade Física da OMS, disse que o relatório “é informado pelas percepções e experiências, e está de acordo com as políticas da OMS. Ele fornece mensagens claras a todos os que trabalham para criar uma sociedade mais ativa sobre o que precisamos fazer. A OMS está convocando as indústrias, a sociedade civil e os governos, bem como as agências da ONU, para construir uma visão comum para a criação de sociedades mais ativas por meio do esporte, caminhadas, ciclismo e jogos.”

Existem três ações principais para ajudar a aumentar a participação: (1) parcerias mais fortes entre os setores para fornecer programas, serviços e ambientes seguros eficazes que envolvam e apoiem todos a serem ativos; (2) estruturas de governança e regulamentos mais fortes para garantir que os ambientes apoiem a atividade física segura e programas inclusivos e esportes; e (3) mecanismos de financiamento mais amplos, profundos e inovadores para construir um sistema forte e sustentável que pode fornecer atividade física e esportes para todas as idades e habilidades.

Mais informações - Fair Play: Building a strong physical activity system for more active people é um documento de apoio que pede ações urgentes. Responde ao apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, para que o esporte e a atividade física ampliem sua contribuição aos esforços globais para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e seu apelo à comunidade global para se unir e trabalhar em conjunto para implementar o soluções eficazes delineadas no plano de ação global sobre atividade física 2018-2030 em todos os países, especialmente para apoiar crianças, idosos e pessoas com deficiência. 

Soluções que funcionam incluem campanhas comunitárias sustentadas, programas inclusivos em comunidades locais e ambientes mais seguros que apoiam mais caminhadas e ciclismo para todos.

Para ser eficaz, a comunidade global deve abordar as principais barreiras que limitam o progresso global, a saber: 1. uso inadequado e ineficiente de recursos; 2. políticas, leis e marcos regulatórios insuficientes; e 3. um sistema fragmentado de entrega de políticas, parcerias e implementação.

As diretrizes da OMS recomendam que todos sejam regularmente ativos para obter benefícios para a saúde física e mental. Os adultos devem fazer pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa por semana e crianças e adolescentes uma média de 60 minutos por dia.

A OMS incentiva os países a implementarem as ações políticas delineadas no plano de ação global da OMS sobre atividade física 2018-2030 para atingir a meta de um aumento da atividade física em 15% até 2030.

DIA DOS EDUCADORES E EDUCADORAS - 15 DE OUTUBRO




 

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

MEIO AMBIENTE SAUDÁVEL RECONHECIDO COMO DIREITO HUMANO

CONSELHO DA ONU DECLARA MEIO AMBIENTE SAUDÁVEL COMO DIREITO HUMANO


Fonte: ONU - BRASIL

A resolução foi proposta por Costa Rica, Maldivas, Marrocos, Eslovênia e Suíça e passou com 43 votos a favor e 4 abstenções, da Rússia, Índia, China e Japão.

A decisão foi considerada um "marco para a justiça ambiental" e um "passo importante" para a construção de um planeta mais saudável e seguro.

Após a aprovação em Genebra, a questão agora vai para a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, para mais considerações.

menina indígena segura cartaz em que se lê somos o futuro das próximas gerações
Legenda: A nova resolução reconheceu o dano causado pela mudança climática e pela destruição do meio ambiente nas milhares de pessoas em todo mundo
Foto: © Ana Pessoa / Mídia Ninja

O Conselho de Direitos Humanos da ONU reconheceu, pela primeira vez, que ter o meio ambiente limpo, saudável e sustentável é um direito humano. O texto, proposto pela Costa Rica, Maldivas, Marrocos, Eslovênia e Suíça, passou com 43 votos a favor e com 4 abstenções da Rússia, Índia, China e Japão.

Com a decisão, o Conselho pediu aos Estados em todo mundo que trabalhem em conjunto e com outros parceiros para implementar esse novo direito reconhecido.

Ao mesmo tempo, por meio de uma segunda resolução (48/14), o Conselho também aumentou o seu foco no impacto da mudança climática nos direitos humanos ao estabelecer um relator especial dedicado a essa questão específica.

A deliberação veio semanas antes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 26, que vai acontecer no começo de novembro em Glasgow.

‘Ação ambiciosa’ - Em uma declaração, a alta-comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, solicitou aos Estados-membros que tomem medidas ambiciosas para que o direito a um meio ambiente saudável tenha efeito imediato e real.

Bachelet falou que espera esse passo há algum tempo e está “grata” que a decisão “reconheceu claramente a interconexão entre a degradação do meio ambiente e as mudanças climáticas com a crise dos direitos humanos”.

“Uma ação ambiciosa agora é necessária para garantir que a decisão sirva como um impulso para a transformação de políticas econômicas, sociais e ambientais que vão proteger as pessoas e a natureza”, acrescentou.

Na abertura da sessão atual do Conselho de Direitos Humanos, a alta-comissária descreveu a tripla ameaça global da mudança climática, poluição e perda de biodiversidade como sendo o maior desafio de direitos humanos da nossa era.

A nova resolução reconheceu o dano causado pela mudança climática e pela destruição do meio ambiente nas milhares de pessoas em todo mundo. Também sublinhou que os segmentos da população mais vulneráveis são os mais seriamente afetados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 24% das mortes no mundo, cerca de 13.7 milhões de mortes por ano, estão ligadas ao meio ambiente, devido a riscos como a poluição do ar e a exposição a químicos.

A questão agora vai para a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, para mais considerações.

Esforço de longas décadas - Após a aprovação da decisão, Michelle Bachelet homenageou os esforços de diversas organizações da sociedade civil, incluindo grupos jovens, instituições nacionais de direitos humanos, organizações de indígenas, empresas e vários outros.

A alta-comissária também apontou que um número inédito de defensores dos direitos humanos foram mortos ano passado e pediu aos Estados-membros que tomem medidas severas para protegê-los e empoderá-los.

“Nós precisamos aproveitar esse momento para ir além da falsa separação entre a ação ambiental e a proteção dos direitos humanos. Está claro que nenhum dos dois objetivos será alcançado sem o outro”, afirmou.

A embaixadora da Costa Rica, Catalina Devandas Aguilar, uma das responsáveis pela resolução, manifestou que a decisão vai “enviar uma mensagem poderosa às comunidades em todo mundo que lutam contra as dificuldades climáticas de que eles não estão sozinhos”.

A diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) celebrou a decisão. “A adoção de uma resolução sobre o direito a um ambiente limpo, saudável e sustentável pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU é um marco decisivo para a justiça ambiental”, disse Inger Anderson.

Segundo ela, este direito tem suas raízes na Declaração de Estocolmo de 1972. “Cinco décadas depois, é muito encorajador vê-lo formalmente reconhecido mundialmente por meio de uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU” ,comemorou a chefe de meio ambiente da ONU.

Para o PNUMA, esse é um passo importante na construção do planeta como um lar seguro e justo para todos.