sexta-feira, 1 de julho de 2022

SURFISTA MAYA GABEIRA É A NOVA CAMPEÃ DA UNESCO PARA O OCEANO E A JUVENTUDE

 FONTE: ONU - BRASIL

   A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) nomeou a surfista brasileira de ondas gigantes, Maya Gabeira, como Campeã para o Oceano e a Juventude. O anúncio foi feito durante a Conferência do Oceano das Nações Unidas, realizada de 27 de junho a 1º de julho em Lisboa.

Ativista ambiental e atualmente detentora do título mundial da maior onda já surfada por uma mulher, Maya espera trazer seus conhecimentos e motivação para ajudar a alcançar as metas climáticas da organização.

Daqui para frente, a atleta carioca deverá ter um papel ativo na promoção da defesa da UNESCO em questões relativas à sustentabilidade oceânica. Ela também estará na vanguarda dos esforços da organização para mobilizar as novas gerações, organizando cúpulas de jovens e atuando como porta-voz de campanhas.

 

Maya Gabeira quebrou o recorde mundial do Livro Guinness da maior onda já surfada por uma mulher, com 22,4 metros.
Legenda: Maya Gabeira quebrou o recorde mundial do Livro Guinness da maior onda já surfada por uma mulher, com 22,4 metros.
Foto: © @UN_News_Centre

   Um grande evento para promover a Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável 2021-2030 – a “Década dos Oceanos” –, a conferência internacional liderada pela UNESCO visa reforçar a cooperação internacional sobre o oceano, promovendo sua melhor compreensão e proteção.

A nomeação de Maya, oficialmente uma Embaixadora da Boa Vontade, foi realizada no primeiro dia da conferência pela diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay. A surfista celebrou a notícia, afirmando estar honrada com o novo posto.

“Eu estou muito preocupada com vários problemas oceânicos, desde sua poluição até a destruição da biodiversidade marinha”, afirmou a atleta. “O que me atrai para o papel de Campeã da UNESCO para o Oceano e a Juventude é a oportunidade de ver o oceano por meio de múltiplas perspectivas – a UNESCO atua para salvaguardar a biodiversidade, além de apoiar a pesquisa científica e os valores culturais do oceano. É uma honra para mim tornar suas ações conhecidas.”

Já a diretora-geral da UNESCO comentou a importância de ter personalidades agindo em nome da causa dos oceanos: “Nós somos filhos do oceano, e é hora de protegermos e restaurarmos sua saúde para as próximas gerações. Para termos sucesso, precisamos de personalidades inspiradoras e comprometidas que nos auxiliem a aumentar a conscientização sobre as questões da sustentabilidade junto aos cidadãos de todo o mundo”.

Azoulay também teceu elogios à nova embaixadora da instituição: “Além de defensora do meio ambiente, Maya Gabeira tem uma formação excepcional: é uma atleta inspiradora que se levou ao limite. Estou feliz que agora ela esteja se unindo à família da UNESCO”.

Surfista pioneira - Natural do Rio de Janeiro, Maya cresceu em uma família engajada com o meio ambiente e desde cedo compreendeu a importância das questões climáticas. Ela começou a surfar aos 13 anos e se tornou profissional aos 17. Preferindo ondas gigantes a competições de manobras, ganhou o prêmio Billabong XXL Global Big Wave por cinco anos consecutivos. O ponto alto de sua carreira veio em 2020, quando quebrou o recorde mundial do Livro Guinness da maior onda já surfada por uma mulher, com 22,4 metros.

Após 15 anos de estreito contato com o oceano, Maya Gabeira testemunhou em primeira mão o impacto da mudança climática no mundo marinho e acredita que é urgente combater a crise do clima. Ela tem um forte histórico de liderança de bem-sucedidas campanhas de ativismo. Como membro do conselho da ONG Oceana, apoiou uma campanha antiplástico no Brasil, que resultou na ação ousada da principal empresa de entrega de alimentos do país para combater os resíduos plásticos de uso único. Maya espera trazer essa expertise e essa motivação para ajudar a alcançar as metas climáticas da UNESCO.

Daqui para frente, a surfista deverá ter um papel ativo na promoção da defesa da UNESCO em questões relativas à sustentabilidade oceânica. Ela estará na vanguarda dos esforços da organização para mobilizar as novas gerações, organizando cúpulas de jovens sobre a sustentabilidade oceânica e atuando como porta-voz principal da Gen Ocean, a nova campanha da UNESCO para desencadear mudanças de estilos de vida.

sábado, 25 de junho de 2022

ARTIGO FLORIAN MORIN - MURAL DO CLIMA

 


Artigo

O mural do clima - como aprender o proceso da mudança climática e tomar ações para limitar

 

Florian Morin, animador do mural do clima.

 

  Como, em poucas horas, podemos compreender as causas e os efeitos da mudança climática e pensar nas alavancas de ação para garantir nosso futuro e o de nossos filhos? O mural climático se propõe a responder a esta pergunta. Em apenas três horas, os presentes nesta oficina participam de um jogo colaborativo para entender o processo de mudança climática, e como nossos estilos de vida estão causando isso, e depois como mudá-los. 

  Este jogo foi fundado por um professor-pesquisador francês, Cédric Ringenbach, e é baseado no relatório do primeiro grupo do IPCC. Ela se baseia no fato de que, para agir concreta e efetivamente contra um problema, é preciso primeiro entendê-lo em detalhes. Aqui, o problema é limitar o aquecimento global a 2°C, a fim de garantir que vivamos nas melhores condições possíveis nas décadas vindouras. De fato, em um planeta que aqueceu a +2°C, as conseqüências são palpáveis, e isto em todas as regiões do mundo. No Brasil em particular, isto significaria secas severas no norte, reduzindo o rendimento agrícola e agravando a fome; chuvas mais fortes em algumas regiões levando a inundações - todos nos lembramos dos eventos de janeiro deste ano -, aumento do nível do mar, o que significaria a relocalização de cidades costeiras, incêndios mais freqüentes e desertificação de áreas anteriormente ocupadas por florestas tropicais, notadamente a Floresta Amazônica.

 E compreender o mecanismo do aquecimento global, o efeito estufa, a ligação com as atividades humanas e todas as conseqüências sobre os fenômenos meteorológicos é o primeiro passo para transformar nossos estilos de vida a fim de reduzir esses impactos e se adaptar.

Para isso, o jogo consiste em 42 cartas que os participantes montam por nexo de causalidade para formar o mural. Ao longo do jogo, um facilitador acompanha o grupo para fornecer explicações, e para conduzir discussões e orientar os participantes para as ações mais relevantes para reduzir nossos impactes sobre o clima - seja no modo como vivemos, comemos, viajamos ou consumimos produtos e produzimos resíduos.

O mural está aberto a todos, cidadãos, funcionários eleitos, funcionários e líderes empresariais, e ainda mais aos novatos do clima, e é dirigido por 17.000 voluntários da associação da qual sou membro, presentes em mais de 50 países, em 40 linguas incluindo o português, e que já sensibilizaram mais de 400.000 pessoas desde 2018.

O mural tem três características essenciais. Primeiro, o conteúdo do jogo é baseado em uma sólida base científica e é politicamente neutro. De fato, os cartões são construídos a partir do relatório do primeiro grupo do IPCC, o próprio Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, apoiado pela ONU.

Além disso, o mural é muito acessível e aberto a todos. Jogando cooperativamente, cada membro toma posse e compreende as questões da mudança climática. Os moderadores entram para prestar esclarecimentos, mas são os participantes que constroem o mural juntos!

Finalmente, é eficaz! O mural aumenta a conscientização sem fazer as pessoas se sentirem culpadas. No final da oficina, foi lançada uma discussão coletiva sobre as ações possíveis, num espírito de boa vontade. Os participantes deixam a oficina altamente motivados e cheios de ferramentas para criar soluções ao seu alcance.

Para fazer mais, também é possível se tornar um facilitador. Mais uma vez, não há necessidade de ser um especialista em clima, o treinamento em facilitação e a ajuda mútua entre os diferentes facilitadores são fortes. Há também uma versão infantil do mural, e ações em grande escala também são organizadas em universidades ou empresas.

Para mais informações, consulte fresqueduclimat.org (em francês) ou climatefresk.org (em inglês).

EDUCAÇÃO AMBIENTAL


 

ARTIGO DE LUDMILA YARASUKAI - VIVÊNCIA SOBRE A AGROFLORESTA



Artigo

VIVÊNCIA SOBRE A AGROFLORESTA

 Ludmila Yarasukai

 

    No mês passado, realizamos no bairro Jardim de Petrópolis em Nova Lima, uma vivência entre amigos sobre a Agrofloresta.

Observamos o solo, suas diferenças em cada local em relação ao sol ou ao desmatamento na área. Cuidamos de preparar a terra para abrirmos os canteiros. As árvores foram podadas e cuidadas.

Muitas mãos agiram juntas, os adultos se empenharam na troca de funções, aprendendo, doando e recebendo conhecimentos.

Em uma comunicação constante com o ambiente que ali estávamos.

Especificamente naquelas terras existe um certo desequilíbrio onde umas espécies de formigas cortadeiras dominam grande parte dos alimentos, mas ainda assim, houve coragem e determinação do grupo em criar um ambiente, como nos foi dito pelo nosso educador ambiental Miguel Tantric, como uma bomba de vida e de diversidade.

Muita sementes foram plantadas, mudas, ervas árvores.

O objetivo também foi gerar muita matéria orgânica para, aos poucos, fortalecer o solo para uma futura floresta de alimentos e equilíbrio nascer ali.  Conectando assim, a vida da terra com a dos seres da região.

Durante o dia as pessoas se conheceram, alimentaram corpo e alma e as mulheres e meninas dançaram em cirandas celebrando toda a comunhão ali vivenciada.

Meu trabalho basicamente é cuidar de mulheres, do corpo, espírito e emoções principalmente no momento de gestação, parto e cuidado com bebês. E nesse dia, senti tanta semelhança, pois fizemos dessa forma, cuidamos do terreno para muitos bebês serem gestados. E em poucos dias com apoio da água, do sereno, do calor do sol e vento suave, os primeiros brotinhos já começaram a nascer mesmo com a intervenção de outros tantos animais que vivem nas redondezas.

Logo, logo conseguiremos entender que caminhos a natureza seguirá ali.

Cabe a nós atuar apenas com intervenções respeitosas, com estudo e sabedoria para conhecer e ouvir da mãe Natureza o que é melhor pra todos nós.

Como disse minha filha na abertura dos trabalhos do dia, quando foi- nos perguntado o propósito de estarmos na vivência da Agrofloresta: estou aqui porque moro aqui, ela disse, simplesmente.

Nossa casa, nossa mãe terra, cuidaremos e lutaremos por você.