quinta-feira, 3 de julho de 2014

Floresta Amazônica - os sons da biodiversidade da Floresta

 O sons da natureza revelam a quantidade de vidas e da diversidade biológica em regiões como a Floresta Amazônica. Ouvir estes sons nos une ao meio ambiente do qual fazemos parte.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

3º ARRAIAL DA SAUDADE


3º ARRAIAL DA SAUDADE

 DIA 12 de JULHO
A PARTIR DAS 16:00 h

BARRAQUINHAS - QUADRILHA - ARTESANATO - BRINCADEIRAS

  Venha de traje típico
  Local: Rua Arcos (entre ruas Padre Feijó e Padre Café) - BH
 Realização: Movimento Popular da Mulher - MPM


terça-feira, 1 de julho de 2014

COPA 2014 NO BRASIL: A FELICIDADE E OS CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS


    Chegamos as oitavas de final da copa. O sucesso do futebol entre os seres humanos está relacionado ao fato de que o futebol exige dos jogadores uma socialização. É um esporte coletivo, onde o objetivo de vencer está associado à união do conjunto de jogadores. Os torcedores por sua vez se identificam com esta socialização e há uma correspondência entre torcida e jogadores. Tanto que a motivação das torcidas fazem com que eles se empenhem por um bom resultado nas partidas. Mesmo que em uma equipe alguns jogadores sejam diferenciados, os chamados craques, e façam a diferença em muitos resultados, marcar gols e evitar gols só é possível com o chamado "espírito de equipe", o sucesso do coletivo, do conjunto, da união de esforços.

      A copa 2014 no Brasil deve bater o recorde de público, segundo os organizadores, está projetada para ter mais de três milhões e trezentos mil torcedores que compraram ingressos e estão assistindo as partidas nos estádios.Todo este investimento econômico, de infra-estrutura material e humana na organização da copa transmitida para bilhões de telespectadores em todo mundo, dando ênfase a esta socialização, entra em conflito com o individualismo e propaganda dos patrocinadores, que apelam para que as pessoas sejam felizes adquirindo bens individualmente, através da competição desenfreada da sociedade. Uma ideologia que identifica até na religiosidade, na fé das pessoas, que prosperidade na vida é resultado, sinônimo, de sucesso apenas na aquisição de bens materiais.
    O que não se nega é que somos seres sociais.  O aparecimento do "menino selvagem" de Aveyron, encontrado em 1797 na floresta de Lacaune, na França, perambulando seminu apresentando hábitos "selvagens", reforçou a tese de muitos estudiosos, povos, culturas, e o que Aristóteles (384 - 322a.C.) também afirmou de que por excelência, o ser humano é um animal social. Nossa vida adquire sentido na relação com os outros seres humanos. Esta nossa essência vivenciada proporciona felicidade que se comprova na festa das torcidas de todos os Países durante a copa.

   Este ser social é que vem ganhando uma conotação socioambiental. Há uma consciência ambiental das pessoas em todo mundo crescente, ainda que tímida, no sentido da urgência de soluções imediatas que é preciso as sociedades tomarem para solucionar os problemas ambientais ocasionados pela ação humana. 



Família mexicana na Copa 2014 - em BH - pai e filho - Foto: Jornal O Ecoambiental
   Diante um mundo que sofre com as desigualdades e conflitos socioambientais, eram previsíveis as manifestações na copa das confederações questionando-se os gastos rapidamente mobilizados para serem revertidos para uma instituição que acumula rendimentos maiores que orçamentos de vários Países, em detrimento da morosidade de recursos escassos investidos em áreas vitais para a sobrevivência dos seres humanos como a saúde, alimentação de qualidade, educação, moradia, transporte e políticas públicas no Brasil, bem como solucionar problemas como a fome, a miséria e péssima qualidade de vida da maioria dos bilhões de seres humanos em todo mundo.

    Sabendo que os conflitos poderiam ganhar proporções em grande escala, não foi por acaso a escolha do símbolo da copa no Brasil ser uma representação do meio ambiente através de um animal ameaçado de extinção: o tatu-bola.
Festa de milhares de torcedores brasileiros após vitória sobre o Chile - Savassi - BH- Foto: Jornal O Ecoambiental
   Os conflitos socioambientais estão presentes em todo mundo como atesta a história e conferências como a Rio + 20 e Cúpula dos Povos realizada no Rio de Janeiro. O mundo precisa mudar, transformar a forma como vem lidando com os recursos naturais  do planeta, a forma como vem produzindo sociedades. Um dado sobre esta realidade ambiental local chama atenção aqui em Minas Gerais, a chamada "caixa d'água" do Brasil: a falta de água. A represa de Furnas vive hoje a maior escassez de água em 13 anos, devido às mudanças climáticas que trazem vários problemas socioambientais em todo mundo. O mundo não pode mais ser expectador da degradação humana, ambiental.


   Um questionamento diante tanta riqueza produzida para poucos através da copa 2014 poderia ser feito: mas qual a relação das questões ambientais com o futebol ? Se os organizadores da copa optaram em aprovar um mascote que simboliza o "futebol, a amizade e a ecologia" batizando-o de fuleco, no mínimo, queriam "despoluir" o desgaste das contradições de como uma copa do mundo se organiza. Contudo, não estão cumprindo os organizadores, com sua parte de divulgarem que esta copa tem um patrocínio de uma mensagem de conscientização sobre os problemas ambientais para o mundo.  A socialização e a alegria do futebol em contraposição ao individualismo e não valorização das individualidades, as formas insustentáveis de produzir, consumir, distribuir riquezas, continua questionando as sociedades.


   A escolha do tatu-bola como símbolo ambiental se relaciona com todas as espécies ameaçadas de extinção, inclusive a espécie humana e são indicadores da ação predatória dos seres humanos, através da caça e mesmo dos desequilíbrios do habitat naturais destes animais, intensificados pelo desmatamento e pela ocupação desordenada sobre o meio ambiente como um todo. Muitos animais protegem os seres humanos, porque microorganismos parasitam estes animais ao invés de trazerem doenças aos seres humanos. Nossa espécie não suportaria a quantidade de doenças que nos infectariam.  A microbiologia nos ensina que a maioria dos microorganismos que mantêm a Terra como um organismo vivo, não pode ser vistos a olho nu. Em um meio ambiente que sofre a ação predatória dos seres humanos, ficamos mais vulneráveis inclusive a vários microorganismos, bactérias, fungos e até ao contato com vários animais por causa de mutações genéticas. O corpo humano abriga bilhões de microorganismos. Estima-se que cada centímetro de nosso corpo seja o lar de mais de 10 bilhões de micróbios. Nossa espécie humana ainda é totalmente ignorante sobre a biodiversidade e a maioria dos seres vivos da Terra. Não podemos destruir outras espécies  que significam o equilíbrio ecológico da vida na Terra. 
   Podemos nos unir na direção de nossa humanização que é a valorização de nossas comunidades, de nossas culturas locais, da alegria que este esporte coletivo: o futebol nos transmite, porque nos socializam. Isto independente de se construir estádios que custam bilhões. Nas periferias do Brasil e acreditamos, no mundo, podemos assistir partidas emocionantes de futebol em pequenos campos, várzeas, muitas vezes improvisados. O Brasil possui milhares de Neymares, com certeza, vivenciando o mesmo "espírito coletivo" e felicidade nas periferias, vilas e favelas esquecidas pelo poder público. Estão nas manchetes da grande mídia, na grande maioria das vezes como vilões por questões políticas, econômicas, socioambientais.
    Por que  desmatar florestas que abrigam plantas que podem trazer a cura de várias doenças ? Quando agimos extinguindo outras espécies, a biodiversidade,  estamos na verdade ameaçando a sobrevivência de nossa própria espécie. A grande questão é que se é dada ênfase através da grande mídia de que futebol é simplesmente consumo de produtos,  estamos despendendo energias opostas e nos alienando ainda mais, nos distanciando das forças que precisamos ter para vencermos os problemas socioambientais que se agravam. A falta de compromisso de quem propôs e não vem realizando a divulgação da conscientização ecológica na copa 2014  pode acarretar ainda mais estresse pós copa e novos conflitos socioambientais. Tanta energia, recursos e tempo gasto na ênfase ao super consumo trará conseqüências à população e a todo meio ambiente.  O aumento do alcoolismo, da prostituição, do endividamento da população pós copa é o oposto da qualidade de vida que merecemos ter como coletividade, como sociedade.  Quem está assistindo os jogos ao vivo é uma classe economicamente mais rica. Só que este "conforto" para poucos nos estádios custa recursos econômicos e o trabalho e impostos da maioria da população que assiste sua exclusão socioambiental pela tv em HD.
  Já alertamos para o fato dos organizadores da copa não respeitarem  e não divulgarem na grande mídia, nas aberturas pela tv dos jogos da copa a imagem do fuleco, do tatu-bola, do meio ambiente. Esta atitude de não divulgarem devidamente a imagem do tatu-bola e de seu significado sobre o meio ambiente para os torcedores e toda população é o resultado do descaso dos seres humanos com os próprios seres humanos e todo meio ambiente. Isto explica os conflitos socioambientais das manifestações antes da copa 2014 alertando ao mundo de que é preciso edificarmos com urgência sociedades sustentáveis.


POR QUE DURANTE A COPA AS MANIFESTAÇÕES ESTÃO SENDO MENORES ?

   O verdadeiro caráter das manifestações antes da copa no Brasil tinha fundamento pacífico e uma característica de atitude espontânea de muitos jovens. Eles questionam a falta de perspectivas que as sociedades estão produzindo ao constatarem que os seres humanos estão agindo na direção da insustentabilidade e no caminho oposto ao que as sociedades poderiam seguir. Os jovens estão enfrentando este estresse socioambiental produzido pela ganância de poucos adultos, que lucram bilhões de dólares e euros à custa da degradação do meio ambiente. Não é por acaso que o consumo de drogas está crescendo, e as bebidas, inclusive, estão patrocinando boa parte da copa.

    Sobre as manifestações durante a copa, podemos dizer: diminuíram, segundo alguns segmentos, porque foi dado um aviso de que haveria intensa repressão. Consideramos que também há o fato de que com a massiva divulgação pela grande mídia dos jogos da copa, as manifestações coletivas, estão retratadas nas partidas, que expressam a emoção das pessoas que simbolicamente representam a socialização expressa na união dos jogadores por bons resultados, apoiados pela felicidade dos torcedores de cada País. Uma socialização que não deixa de ser conflitiva e dialética. Quando há oportunidade dos países se unirem para conversarem e agirem coletivamente para a solução dos problemas ambientais aquelas pessoas que detém o poder econômico e político na sociedade age ao contrário, não divulgam o patrocínio da consciência ambiental  da copa ao mundo.  A população brasileira está fazendo sua parte de acolher o mundo com amizade e a proposta de união socioambiental dos Países está colocada pela sociedade civil. Sabemos que os Países presentes  e telespectadores da copa ainda não se unem como poderiam para vencermos a crise socioambiental.  O salto de qualidade da sociedade para que possamos levar esta felicidade momentânea para melhorar as relações humanas e com todo o meio ambiente ainda é um desafio para os seres humanos. Ao invés de sermos transformados em meras mercadorias de consumo, vencermos nossa ignorância com relação à preservação de toda biodiversidade; sermos mais respeitados como seres que merecemos melhor qualidade de socialização e conseguirmos conquistar esta consciência socioambiental necessária para que nossa espécie não seja extinta da Terra.   Dialeticamente o  futebol está retratando o "espírito coletivo"  das sociedades ávidas de mais dignidade, valorização humana, ambiental, onde construamos caminhos em que todos nós seres humanos possamos conquistar melhor qualidade de vida, sociedades sustentáveis, com um meio ambiente mais saudável para todos.