sábado, 30 de agosto de 2014

VIRADA CULTURAL BH - 2014












Nos dias 30 e 31 de agosto, Belo Horizonte recebe a segunda edição de sua Virada Cultural

   Ao todo serão 24 horas ininterruptas de programação artística e cultural. Música, teatro, dança, circo, audiovisual, literatura, artes plásticas, moda e gastronomia estarão em evidência.
Entre os destaques estão:
Diogo Nogueira (Praça da Estação 30/08 - 19h30)
Zé da Guiomar (Praça Sete 31/08 - 15h30)
Gabriel Guedes (Praça da Liberdade 31/08 - 14h30)
Fala Tambor (Parque Municipal - 31/08 - 13h30)
Toquinho (Parque Municipal - dia 30/08 - 22h30)
Baianas Ozadas (Rua Guaicurus - 31/08 12h30)
No total serão 466 atrações na Virada Cultural dividido em:
225 Atrações nos palcos oficiais da Virada (Praça da Estação, Parque Municipal, Praça da
Liberdade, Praça Afonso Arinos, Praça Sete, Rua Aarão Reis e Rua Guaicurus)
91 Atrações na programação associada (Circuito Cultural da Praça da Liberdade, museus e
espaços culturais)
63 Atrações em palcos parceiros (Sesc Palladium e Savassi)
52 Atrações em equipamentos da Fundação Municipal de Cultura
35 Atrações do Arena da Cultura (no edifício Central)

BOSSA NOVA - JAZZ


A SUSTENTABILIDADE, OS SERES HUMANOS E A SOCIOLOGIA


















  Uma  questão interessante sobre a sociologia é que como ciência, não foi fundada a partir de um único autor. Ela é fruto de um processo histórico. Uma tentativa de pessoas em explicar o mundo que nos cerca. A condição humana dentro da realidade social. A sociologia é fruto das relações dos seres humanos com a natureza, com o meio ambiente.  Desta compreensão surge o conceito socioambiental.
   Vários autores da sociologia fazem uma reflexão histórica sobre a ação dos seres humanos, as relações dos modos de produção de sociedade e a natureza.  Nas relações do homem com a natureza podemos inferir que as sociedades estão ligadas a natureza, como disse Max Weber, a cidade que é uma parte da sociedade é um “produto da natureza, particularmente da natureza humana”.  (“A Cidade” Max Weber). E esta condição de parte da natureza, dos seres humanos e da própria sociedade pode ser analisada dentro da compreensão dialética de Marx. Ele analisa em O Capital o trabalho, que ao agir sobre a natureza o faz dentro de uma relação social de produção. ( O Capital - Karl Marx).
   O analisar, pensar e agir sociologicamente ou socioambientalmente, permite a todos adquirir o que chamou-se na sociologia de “imaginação sociológica”. Contribui para que possamos evoluir interiormente, como pessoas e sociedade, nas relações humanas e com todo o meio ambiente.
   Wright Mills, afirmou que a “imaginação sociológica” poderia ser aprendida e exercida por qualquer pessoa, onde podemos perceber o que acontece a nossa volta no mundo, o que acontece com os seres humanos realizando análises de biografia e história, na sociedade.
  Compreender a história das sociedades, civilizações, culturas, saberes, melhora nossa condição humana, socioambiental. Podemos constatar hoje que existe uma alienação dos seres humanos com relação ao meio ambiente. Esta alienação tem um fundamento histórico, no modo de produção de sociedade que temos hoje.   A sociologia pode contribuir na melhoria das condições socioambientais, na medida em que analisa a realidade social, busca argumentações para explicar esta realidade e constroem com outros saberes, ciências, culturas, pessoas, instituições, uma compreensão melhor da realidade. Esta compreensão holística nos permite agir na melhoria da qualidade de vida de todos os seres humanos e do meio ambiente.

  O que temos constatado é que contribuirmos para a construção da sustentabilidade exige dos seres humanos uma atitude de dentro de cada um de nós para todo o meio ambiente.   Um grande desafio como nos lembra Dalai Lama: “seja a mudança que você quer ver no mundo.”

  Por Luiz Cláudio - Jornal O Ecoambiental

terça-feira, 26 de agosto de 2014

CONVERSANDO SOBRE A SUSTENTABILIDADE

  

   O Jornal e Projeto O Ecoambiental trabalha na área socioambiental, buscando contribuir para dar visibilidade a saberes, culturas de povos, civilizações históricas, das várias ciências, das ciências sociais, como a sociologia, para conquistarmos novos paradigmas na construção da sustentabilidade, na direção de sociedades ambientalmente mais justas, com melhor qualidade de vida e meio ambiente sadio para todos. 

METODOLOGIA PARA A CONSTRUÇÃO DA SUSTENTABILIDADE - o agir local e pensar global


   Houve um tempo em que se considerava meio ambiente algo externo aos seres humanos: a fauna e flora, a natureza que nos cerca. Hoje sabemos que nossa espécie humana age e transforma a natureza, de forma predatória em relação a nossa própria espécie e a todo meio ambiente, ocasionando poluição, desmatamento, má qualidade de vida das cidades, das políticas públicas de saúde, educação, mobilidade urbana, habitação. Mantendo péssimas distribuições de riquezas entre pessoas e Países, promovendo conflitos étnicos, religiosos, culturais. Ações humanas que contribuem para a produção de alimentos com uso abusivo de produtos químicos;  nas mudanças climáticas ou aquecimento global; na má gestão das águas que agrava a escassez de água potável em várias regiões do País e do mundo; da perda de ecossistemas vitais para o equilíbrio ambiental do Planeta.  Há a grave situação dos povos, pessoas e refugiados em acampamentos, que migram em várias partes do mundo fugindo de guerras, conflitos ou das más condições socioambientais - de sobrevivência. Todo este novo cenário global acarreta conflitos socioambientais no campo e nas cidades.
    O mundo no século XXI é o mundo onde todos nós temos que saber agir com precaução, nos defendendo dos conflitos socioambientais. Em uma sociedade dividida em classes, onde há um descompasso entre o que se exige de cada ser humano: ser um super consumidor, em detrimento do que nós somos e queremos que ser, segundo nossa essência.  Sem contar o desperdício não só de alimentos, mas de recursos naturais. Talvez os seres humanos ainda não evoluíram individual e coletivamente para que nossa inteligência e tecnologia sejam sinônimas  de uma harmonia interior e com a natureza. Bem provável que direcionar energias e  economias para guerras, produção de armas químicas, doenças, vícios,  como no século passado e os conflitos socioambientais que ainda sofremos nos tenha trazido uma constatação: ainda não vencemos a “barbárie” humana e socioambiental.  O século XXI exige que conquistemos nosso equilíbrio do bem viver: “Sumac Kawsay” (em língua Quéchua, andina – Sumac – quer dizer plenitude e Kawsay – viver). 
      As novas tecnologias para o século XXI são de fato aquelas que são sustentáveis e que atendam princípios fundamentais em que todos tenhamos vida digna, saúde, educação, trabalho, habitação, alimentação de qualidade para todas nossas famílias e todos os seres humanos. Uma vida mais saudável, feliz e ambientalmente melhor.  Condições ambientais o Planeta possui. Precisamos aprender é compartilhar com outras espécies e recursos as belezas da Terra. E descobrirmos como sociedade que é inteligente e sinal de evolução cuidar e não destruir. Não podemos destruir o que não criamos. Muito porque a natureza está em nosso organismo: água e minerais. - - - Estamos evoluindo na direção de uma metodologia da dialética socioambiental. O que somos agora e fazemos e não nos agrada, ou não é sustentável, podemos compreender e evoluir. Em um movimento dialético, contrário ao que nos oprime há a afirmação de uma nova síntese ao conquistarmos uma autonomia de valorização humana, socioambiental. 

   CAMINHOS PARA A SUSTENTABILIDADE

- Descobrirmos que primeiro nós somos, existimos. Valorizarmos nossa existência é um ponto fundamental para a conquista da sustentabilidade.
- Cada ser humano tem que se esforçar para melhorar a si próprio, interiormente e agir pensando na melhoria da valorização dos seres humanos e de todo meio ambiente.
- Uma questão fundamental: cada um procurar descobrir o que veio fazer neste mundo. Por que, e para que nascemos? Qual nossa missão individual e como espécie neste mundo? Aqui cada um em sua crença ou na avaliação da beleza do cosmos tem uma opção de encontrar respostas.
- Se já descobrimos melhor, senão, é um caminho que cada um pode percorrer e descobrir.  Uma vez sabedores do por que estamos vivendo neste mundo, isto pode nos auxiliar a dar um sentido para nossas vidas. Aliar este sentido a ações que visam valorizar nossa espécie humana e todo o meio ambiente é um caminho para a sustentabilidade. Esta atitude vai além das relações capital x trabalho. Um movimento individual e coletivo faz-se necessário para que possamos unir o que temos de melhor em cada ser humano e na sociedade para vencermos esta condição insustentável em que nossa espécie se encontra.
- A sustentabilidade não é utópica, neste sentido, porque descobrir o que viemos fazer neste mundo é um caminho não tão fácil para com nós mesmos. É um caminho conflituoso. Mas fundamental.   Diz a sabedoria de Sun Tzu: “ o maior inimigo que podemos encontrar em uma guerra, somos nós mesmos”.  A determinação de buscarmos sermos melhores é fundamental. Muitas vezes temos saídas utópicas, ideais, mas nossa ação está muito distante de nossa palavra.  Este movimento individual a partir do interior de cada um de nós e as ações coletivas em benefício de todo meio ambiente que podemos empreender são conflituosos, porque as sociedades assim estão estabelecidas.
- A sustentabilidade une as pequenas coisas que podemos fazer para melhorar nossa evolução humana, de nossa comunidade e de todo meio ambiente, com outras ações que estão acontecendo a cada momento, de pessoas, sociedades, culturas e saberes.
- Há quem diga que o ser humano é criativo quando se sente livre.  Seguirmos com autonomia do sentido que damos a nossa vida, do valor humano que cada um de nós possuiu, agindo e trabalhando em todas as áreas do conhecimento humano, com todos os saberes e a atitude de aprendermos a ser melhores, assim os novos paradigmas da sustentabilidade estão se construindo.
- Um novo paradigma é nos questionarmos: o que é um trabalho sustentável ?  Com certeza já não é apenas o trabalho que procuro realizar para garantir a própria subsistência e de minha família, mas um trabalho em que já compreendi o sentido que dou a minha vida e o que posso fazer para resolver, ou contribuir na solução de algum problema socioambiental, local ou global. O trabalho sustentável é de responsabilidade de todas as classes sociais.
- A sustentabilidade passa por vários caminhos e um deles é: sabendo por que aqui estamos, o sentido de nossas vidas, de nossa espécie, agir pela nossa valorização como seres humanos e de todo o meio ambiente.  Viver de forma horizontal com relação aos ecossistemas. Partilhar os dons de cada um de nós e convivermos da melhor maneira entre nós mesmos e com todo o meio ambiente.
- Tudo que fizermos de bom para o meio ambiente, nossa comunidade, estaremos fazendo um bem a nós mesmos. Vamos evoluir individual e coletivamente, como seres humanos e como espécie.
- Sabendo que estamos na direção de sermos melhores, podemos corrigir nossos erros. Pela nossa condição humana, todos seres humanos são imperfeitos, cometem erros, assim como as sociedades erram. É preciso trilharmos  o caminho da disposição de aprender a conciliar, a dialogar, a argumentar, mais que sermos donos da verdade absoluta. 
- Esta afirmação já devemos ter ouvido: “não existe saber superior, existem saberes que se completam.”
- Outro caminho fundamental para a sustentabilidade é a  valorização das culturas e sabedorias locais, o respeito às culturas, etnias, crenças, civilizações que contribuem para a valorização dos seres humanos e de todo meio ambiente.
 - Como não existe “saberes superiores” compreendermos que não existem “etnias superiores”.  Existem formas diferentes de se relacionar, por exemplo, com o transcendente. Com Deus, com a natureza. Neste sentido,  as culturas dos povos indígenas, populações tradicionais, quilombolas, aborígenes, em todas as regiões da Terra, devem ser respeitadas. Assim como as várias culturas e civilizações que procuram contribuir na valorização de nossa espécie humana e de todo meio ambiente.
- O fio condutor, o eixo que deve nos unir no século XXI é a valorização de todos os seres humanos e de todo meio ambiente. Isto a partir de cada pessoa, de nossas famílias, nossa comunidade, a sociedade civil que tem papel protagonista na construção deste novo paradigma da sustentabilidade: um ser humano que não destrua sua própria espécie e todo o meio ambiente que nos cerca.
- Estas são argumentações, apenas uma breve conversa com nossos leitores sobre a sustentabilidade. Questões que levantamos a partir de nossa prática, nosso trabalho na área socioambiental. Ver o mundo de forma holística é um caminho que buscamos estar sempre aprendendo. Por isto convidamos nossos leitores ao diálogo e as boas ações. Boas ações dizemos não porque nos julgamos melhores, mas porque são as melhores que podemos ter em cada momento. 


 - É evidente que sabemos que este modo de produção sustentável que a humanidade está construindo não se dá sem conflitos. Contudo, na medida em que decidimos individual e coletivamente melhorarmos nossa condição de darmos sentido a nossas vidas e de melhorarmos a nós mesmos agindo de forma sustentável com todo o meio ambiente, nós podemos construir caminhos onde haja mais harmonia.
Por Luiz Cláudio - Jornal O Ecoambiental