sábado, 22 de agosto de 2020

INDÍGENAS BRASILEIROS MINISTRAM AULAS - ENSINAM COMO TRATAR A TERRA E SEUS RECURSOS

 

Indígenas brasileiros ensinam como tratar a Terra e seus recursos

por ONU Brasil
Evento online teve conversa entre a educadora e ativista indígena Célia Xakriabá e o ator e humorista Paulo Vieira sobre a identidade indígena no Brasil. Foto: PNUMA
              Evento online teve conversa entre a educadora e ativista indígena Célia Xakriabá e o ator e humorista Paulo Vieira sobre a identidade indígena no Brasil. Foto: PNUMA

Os povos Indígenas compõem mais de 5% da população mundial (cerca de 350 milhões de pessoas), segundo a ONU. Com uma cultura de relação profunda e equilibrada com a natureza, os indígenas do Brasil nos propõem importantes reflexões sobre como tratamos a Terra e seus recursos.
Na última sexta-feira (14), o Museu do Amanhã e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) promoveram uma conversa entre a educadora e ativista indígena Célia Xakriabá e o ator e humorista Paulo Vieira sobre a identidade indígena no Brasil.
A sensibilidade do ator e a carga poética das falas de Célia deram o tom do bate-papo, que incluiu questões sobre sustentabilidade, alimentação, educação, religião e ancestralidades. Célia abordou as lutas indígenas, principalmente em meio à pandemia da COVID-19.
“Somos um povo que resiste pela força da ancestralidade. Entendemos o que vem de dentro, isso sim é sustentabilidade, é o que fazemos com o corpo-território. Cada vez que tentam nos arrancar nossos territórios, inventamos novos", declarou.
"Porque nosso território também é história, narrativa, memória, conhecimento, é a ciência que nasce do útero da terra. O fogo que queima a Amazônia e o Cerrado jamais vai queimar a força da nossa palavra e não vai acabar com a nossa espiritualidade.”
Paulo, com simplicidade, respeito e pitadas de humor que o caracterizam, colocou-se no papel do público, trazendo dúvidas e inquietações que estão na mente dos espectadores - e fazendo a ponte com a realidade indígena. “É tribo ou aldeia? Pode casar com qualquer pessoa? Pode chamar de índio?”.
Essas e outras questões foram ponto de partida para um bate-papo informal, rico e permeado por reflexões profundas. Para o ator, a sociedade deve exercitar mais o papel de escuta dos povos indígenas.
“Nesse momento em que a gente passa por uma pandemia que não pode deixar de ser vista como um desastre ambiental, não podemos passar por isso de maneira cega. Olhar para os povos originários é entender o que está acontecendo e saber onde nós erramos”, frisou o ator.
Ao falar sobre educação escolar, Célia ressaltou que é muito importante para os indígenas “aprender sem se prender”. Também comentou sobre a importância de ter professores indígenas nas escolas indígenas e de mudar as narrativas das instituições de ensino sobre a história do país: “precisamos parar de replicar a primeira fake news: que Cabral descobriu o Brasil”.
A diversidade foi tema recorrente em sua fala. “É importante reconhecer os 305 povos indígenas, na diversidade brasileira. Eu tenho medo da monocultura, pra mim toda monocultura mata. Essa ideia de ‘monoculturação’ mata o pensamento, mata a terra."

"Todo mundo fala que um prato que tem sustança é um prato colorido, diverso. Mas ninguém pensa assim para um projeto de sociedade”, disse. Ao ser perguntada sobre a primeira coisa que ensinaria aos não indígenas, voltou ao tema: “a diversidade cura. A diversidade alimenta”.
Paulo e Célia também se encontram na arte. Apesar da trajetória com o humor, ele disse que quando está muito triste tenta fazer arte. Já Célia contou que não houve um momento de se descobrir poeta. "Talvez eu tenha capacidade de fazer da luta melodia."

                             

O encontro encerrou a semana em que é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas, uma data para reforçar a luta pelos direitos e a valorização de todas as etnias nativas.

O bate-papo, que teve tradução em libras e um canal no Telegram disponível para que a comunidade de surdos pudesse enviar perguntas, está disponível no canal do Youtube das duas organizações (@museudoamanha / @PNUMABRASIL) e sela mais uma parceria entre o Instituto de Desenvolvimento e Gestão, responsável pela gestão do Museu do Amanhã, e o PNUMA.

“As lives que fizemos com Sebastião Salgado, Rosiska Darcy e Lenine durante o Dia Mundial do Meio Ambiente, em junho, foram experiências extremamente ricas para ambas as instituições. Há muita sinergia entre os nossos valores, missão e propósito", afirmou Denise Hamú, Representante do PNUMA no Brasil.

"Juntos queremos potencializar nosso alcance; envolver outros públicos, e não apenas especialistas, na construção de entendimentos e caminhos para sociedades mais sustentáveis."

“A parceria marca a troca de conhecimento, informações e programas, além de permitir que juntemos forças para continuar estimulando o debate público sobre as mudanças que precisamos empreender nesse momento de pandemia", declarou Ricardo Piquet, diretor-presidente do IDG - Instituto de Desenvolvimento e Gestão, responsável pela gestão do Museu do Amanhã e do Fundo da Mata Atlântica.

"Queremos continuar pautando a importância da diversidade, do respeito aos povos, da convivência sustentável de todos entre si e com o planeta”, complementou.

O próximo bate-papo virtual será em setembro. Para saber mais, acompanhe as redes sociais do PNUMA (@pnuma_pt) e do Museu do Amanhã (@museudoamanha).


DIRETRIZES PARA A DÉCADA DO OCEANO NO BRASIL

 

Sociedade é convocada a construir diretrizes 

para a década do oceano no Brasil

por ONU Brasil

A Década do Oceano foi proposta pela ONU para conscientizar a população sobre a importância dos oceanos e para mobilizar atores em ações que favoreçam a saúde e a sustentabilidade dos mares. Foto: Jeremy Bishop / Pexels

A partir desta quarta-feira (19), brasileiros de todas as regiões estarão envolvidos em uma agenda de eventos que seguirá até o final do ano para construir de forma colaborativa o Plano Nacional para a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

As diretrizes traçadas ajudarão o Brasil a planejar ações a favor do ecossistema marinho-costeiro para serem executadas no período de 2021 a 2030. A participação e o engajamento de diferentes setores da sociedade é parte essencial para desenvolver um plano nacional, que contemple as necessidades, os desafios e as particularidades de todas as regiões do país.

A série de eventos para traçar o Plano Nacional para a Década do Oceano é uma iniciativa do MCTI, Marinha do Brasil, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Unifesp, Fundação Grupo Boticário e Rede ODS Brasil.

A Década do Oceano foi proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar a população global sobre a importância dos oceanos e para mobilizar atores públicos, privados e da sociedade civil organizada em ações que favoreçam a saúde e a sustentabilidade dos mares.

“A partir do engajamento da sociedade como um todo, buscamos gerar conhecimentos e inovações para conservar os oceanos. É a ciência que precisamos para o oceano que queremos”, ressaltou o oficial de projetos da UNESCO no Brasil, Glauco Kimura.

No Brasil, alguns eventos ocorridos desde o ano passado já trouxeram a Década para a pauta das discussões. Agora, várias entidades promovem uma série de eventos on-line, com participação gratuita, com o intuito de conhecer mais e melhor a relação de cada região brasileira com os mares – até mesmo as localidades do interior. O objetivo é reunir diferentes percepções e integrar processos.

“O oceano provê serviços essenciais para a sobrevivência de todos e regula o clima do planeta. Nós precisamos conhecer mais sobre esse assunto, por isso, fazemos o convite à sociedade para reunirmos informações e conhecimentos de cada uma das regiões do Brasil e garantir o futuro sustentável para as próximas gerações”, destacou a coordenadora-geral de Oceanos, Antártica e Geociência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Karen Silverwood-Cope.

A série de eventos começou nesta quarta-feira (19) com o primeiro webinário nacional “Onde estamos?”, que reuniu vários especialistas para falar sobre o cenário atual da costa e da vida marinha brasileira.

A programação seguirá até novembro com cinco oficinas subnacionais – uma para cada região do Brasil. “Buscamos uma participação diversificada, inclusiva e representativa em todas as regiões brasileiras. Com isso, queremos entender de que forma o ambiente marinho está relacionado com a economia, o bem-estar social, a resiliência costeira e a cultura de povos tradicionais em todo o país”, explicou o coordenador de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Robson Capretz. Cada oficina regional terá até 105 participantes, selecionados a partir de inscrições, divididos em sete grupos de trabalho.

O calendário termina em dezembro com o segundo webinário nacional “O que temos e para onde vamos”, que trará os resultados de todos os encontros regionais, com um panorama nacional. Para o professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), Ronaldo Christofoletti, a oportunidade de unir o conhecimento de cada uma das regiões é o principal diferencial da iniciativa. “É uma Década da ciência, mas que ao mesmo tempo é construída por todos os setores da sociedade. Precisamos que todos deixem a sua contribuição. Dado o tamanho continental do Brasil, precisamos ouvir as vozes das pessoas que vivem em cada uma dessas regiões”.

A programação completa e o formulário de inscrição estão disponíveis no site http://decada.ciencianomar.mctic.gov.br/.

AGATHA PESSOA - UMA PEDRA PRECIOSA DA MÚSICA E CULTURA BRASILEIRA

 

JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE

Agatha Pessoa

Uma Pedra Preciosa da música e cultura brasileira                   

 

  Agatha Pessoa é uma artista, 20 anos, cantora carioca, reside no Rio de Janeiro.  Filha de Alessandro Márcio, músico e compositor mineiro de sambas enredo. Conhecido como Araxá e de Patrícia Fabiana. Estudou numa escola de música chamada Centro de Formação Artística Dança e Teatro de Rio das Ostras. Ela concedeu uma entrevista exclusiva onde aborda temas ligados à cultura e meio ambiente.

    Há uma simbologia em seu nome muito interessante. Uma referência de uma pedra, elemento da natureza. Suas respostas inteligentes e precisas retratam como a juventude vem encarando os desafios socioambientais que o Brasil e o mundo atravessam.

   O nome Ágata tem origem no grego. Agatha uma variação de Agathos que significa – bondade, perfeição, respeitável, virtuosa. Para algumas culturas como a islâmica, as ágatas são pedras muito preciosas. Acredita-se que o portador de um anel de ágata estará protegido contra vários infortúnios e gozará de longa vida entre outros benefícios.

   Pois bem, Agatha Pessoa tem muito a dizer a todos nós. Segue sua entrevista exclusiva ao Jornal Oecoambiental e sua afirmação sobre “o agir invisível”...

 Jornal Oecoambiental: Agatha, conte-nos um pouco da sua história.

Agatha: Eu canto desde, os 4, 5 anos de idade. Mas só entendi a importância da arte e me enxerguei como artista e cantora a partir dos 16 anos. Quando comecei a levar a sério e gravar vídeos para as redes sociais na internet. Hoje tenho 20 anos. Então estou ha quatro anos nesta trajetória. Quando eu comecei a cantar na igreja, a partir dos meus 12 anos até chegar aos 17 eu entendi que o que eu carregava dentro de mim poderia beneficiar outras pessoas. Não só a mim. Porque cantar é um prazer para mim. Eu me sinto bem cantando, envolvida no mundo da música. Além disso, existe um papel que eu carrego quando eu canto as palavras, dependendo daquilo que eu falo. Existe uma influência que gera sobre as outras pessoas. Quando eu entendi a importância e a responsabilidade sobre isso foi um choque para mim. Eu comecei a ter medo. Ainda tenho alguns problemas como à timidez e superar meus limites. Acreditar em mim de uma forma que eu vou poder passar o que está dentro de mim. Então dos meus 13 anos aos 17 foi um período bem conturbado em que eu tive que me conhecer e que eu tive que olhar para mim, para dentro de mim e falar: “bom você é capaz de mudar vidas através do canto, da música, da cultura. Seja o que for.”

Jornal Oecoambiental: Quais são os estilos musicais que canta e gosta? Quais são suas referências musicais?

 Agatha: Canto gospel, MPB, sou envolvida e apaixonada por outros estilos como MPB, R&B, Pop, Rock (seculares ou não).

 Esta pergunta é difícil porque tem muita gente que eu acompanho. Muitos artistas tantos famosos ou não. Seculares, que não fazem parte do meio gospel. Eu gosto muito de um grupo R&B brasileiro: Youn. Eles têm um conhecimento  musical muito grande. Acompanho muito Byoncé. Eu digo vocalmente falando. Whitney Houston, Jennifer Hudson, Jacob Latimore, pessoas tanto do mundo do cinema quanto da arte musical. Estou mais envolvida com estas pessoas, mas tem muito mais pessoas que agora não consigo lembrar tanto.

 Jornal Oecoambiental: Como você avalia a importância da música e da cultura para a população e a sociedade?

Agatha: Não existe uma pessoa no mundo que não seja envolvida pela música e a cultura, mesmo sendo que a cultura e a música, muitas das vezes, não sejam valorizadas. Mas todo mundo participa de algum jeito. Ou pelo menos aproveita de algum jeito.  Eu vi um estudo de algum tempo atrás que mostrava que pacientes em hospitais, que passavam por seu período de recuperação, com um método de musicalização, se recuperavam muito mais rápidos. A importância da música e da cultura não é conhecer apenas novas coisas, mas também respeitar outras culturas, outras pessoas e entender que o mundo é muito amplo. Existem coisas que a gente tem que estar aberto a conhecer porque é fato que nós vamos aprender. Assim a gente vai poder se tornar um todo. Acredito que esta seja a meta que todos precisam. Abrir seus horizontes. Olhar com novos olhares e entender que é necessário conhecer outras coisas, respeitar e valorizar também a música e a cultura entre nós.

Jornal Oecoambiental: Como você avalia a importância do meio ambiente?

Agatha: O meio ambiente é o que sustenta o mundo. É aonde a gente vive. Cada dia que passa eu entendo a necessidade que o ser humano tem de estar envolvido no meio ambiente, na natureza até mesmo porque o nosso corpo pede. A nossa mente pede porque fazemos parte deste meio também. O ser humano não tem levado isso a sério. Está tendo que ser da pior forma possível a gente entender que é necessário cuidar, preservar e sustentar o meio ambiente da melhor forma possível.

 Jornal Ecoambiental: Você tem em seu nome u ma referência da natureza: Agatha. Como vê a importância da participação das pessoas e da juventude para que consigamos melhorar o meio ambiente?

Agatha: Infelizmente acaba ficando muito oculto esta importância na sociedade em si. Principalmente da juventude porque nós somos o futuro da Nação. Mas está tudo muito oculto, muito silencioso. Era pra ser uma coisa mais falada. Pra ser uma coisa que houvesse mais luta em relação a isso. Os jovens não têm tido interesse em procurar saber o que é a sustentabilidade. O que a gente tem feito diante o que tenham destruído aos poucos nosso meio ambiente. Eu percebo que alguém tem que falar né?  Para que todas as pessoas que lutam por isto, não desistam porque eu acredito que em algum momento o mundo vai perceber que a sustentabilidade ela tem pontos extremamente importantes. Que literalmente todo mundo tem uma culpa nisso. Está tudo tão horrível, seja a água, a camada de ozônio que está acabando. E existem responsabilidades nisso.

Jornal Oecoambiental:  O que pensa sobre a importância dos jovens se cuidarem diante as pandemias?

Agatha: É importante se cuidar não somente pelas próprias vidas, mas também pela vida do próximo. Existem pessoas com realidades conturbadas e sem uma boa condição de vida. Pessoas doentes além do covid,  que são grupos de risco nessa situação. Então ser uma ponte de contaminação a uma pessoa nessa realidade pode ser fatal. Fiquem em casa.

Jornal Oecoambiental: Existe uma frase do artista, escritor e compositor Martinho da Vila, na apresentação de um DVD, onde ele diz: “nós nascemos para melhorar o mundo”. O que você pensa a respeito desta afirmação?

Agatha: Eu concordo em partes. Atualmente sim. Todas as pessoas que nascem, elas nascem para melhorar o mundo. Elas já nascem com esta carga de que você precisa fazer alguma coisa também. Mas um dia o mundo foi bom e não fomos nós mesmos que o destruímos. Então a gente só está colhendo o fruto daquilo que foi plantado.

Jornal Oecoambiental: Como você avalia a importância da educação na vida das pessoas, os saberes? E a sabedoria que os mais velhos adquirem em determinadas culturas ao longo da vida?

Agatha: Quanto mais a gente se abre para conhecer outras culturas, outras pessoas, a gente aprende a melhorar. Porque a gente percebe que somos seres pequenos, limitados. A gente nunca vai saber tudo. Quem realmente entende o valor disso tudo consegue alcançar lugares altos. Vejo como uma oportunidade você poder conhecer, conviver, respeitar, aprender, com outras culturas e outras pessoas. Quando você fica mais velho, acredito que faz vir um sentimento de que valeu a pena viver tudo que se vive. Aprender tudo que eu aprendi. E você não se sente arrependido de não ter aproveitado as oportunidades.

 Jrnal Oecoambiental: Você acredita que podemos realizar nossos sonhos? Qual mensagem você pode passar aos jovens principalmente, que têm sonhos e metas a conquistar?

Agatha: Acredito sim. Confesso que nem sempre acreditei. Quando eu entendi que existe o agir invisível, tudo se tornou mais tranqüilo para mim. Eu aprendi a ter paciência no Senhor para esperar as coisas acontecerem dentro da vontade dele. E o recado que eu tenho para vocês jovens, que têm metas, objetivos, sonhos, acreditem no seu potencial. Corra atrás de seus objetivos. Mentalize aquilo que você tanto deseja. E tenha fé no agir invisível. Você pode não estar enxergando nada daquilo que você tanto deseja, mas está acontecendo. Porque o mundo é muito além daquilo que a gente costuma enxergar. Não sei no que você acredita qual sua fé, mas acredite que a sua mente tem um poder incrível e que você é capaz de tudo.yv

Jornal Oecoambiental: Muito obrigado Agatha pela brilhante entrevista. Felicidades a você e sua família.



sexta-feira, 7 de agosto de 2020

AGENCIA DA ONU PARA REFUGIADOS - E INTEGRAÇÃO

 Temas relacionados à integração das pessoas refugiadas no Brasil serão discutidos entre profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados. Foto: Daniele Batemarque e Camila Seabra

Foto: divulgação

Fonte : ONU - BRASIL

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em parceria com universidades da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), lançaram na quinta-feira (6) o podcast “Refúgio em Pauta”, que discute temas de integração das pessoas refugiadas no Brasil com profissionais de campo, pesquisadores e os próprios refugiados.

O primeiro episódio trata da segurança alimentar no contexto de pandemia da COVID-19. O coordenador de campo do ACNUR em Boa Vista (RR), Arturo de Nieves, fala sobre a resposta do ACNUR e de seus parceiros em um contexto de emergência humanitária.

A coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas-RJ, Aline Thuller, discute a assistência prestada pela ONG no apoio às pessoas em situação de refúgio no Rio de Janeiro (RJ), vivendo em comunidades e no abrigo gerido pela Cáritas-RJ.

Fechando o episódio, o casal de empreendedores venezuelanos Carlos e Marifer relatam o processo de chegada ao Brasil e como está sendo a adaptação de seu empreendimento gastronômico à realidade da pandemia.

Todo mês, um diferente tema conduzirá os debates entre profissionais de campo, pesquisadores, refugiados e parceiros do ACNUR para que seja feita uma análise conjuntural do assunto proposto. O próximo episódio, a ser lançado em setembro, discutirá o tema dos refugiados indígenas que vivem no Brasil.

Para o representante do ACNUR no Brasil, Jose Egas, o podcast “Refúgio em Pauta” consolida os esforços do ACNUR em fazer com que o tema do refúgio seja tratado de forma inclusiva, trazendo os desafios enfrentados, mas também as amplas possibilidades de contribuição que os refugiados aportam no país.

“Os temas de cada episódio são debatidos entre especialistas e pessoas refugiadas, sendo um retrato da realidade que requer aprofundamento de discussão. Por isso o podcast é importante, pois pode ser acessado em diferentes localidades, por diferentes públicos e traz variadas perspectivas de análise que contribuem para uma melhor compreensão sobre o tema do refúgio como um todo, reduzindo a xenofobia e a discriminação”, afirma Egas.

O podcast “Refúgio em Pauta” é o resultado de um projeto de inovação do ACNUR, onde profissionais da agência de todo o mundo são convidados para trazerem dilemas dos mais variados campos de atuação para discutir soluções adequadas, de baixo investimento.

Como o programa de interiorização de venezuelanos promovido pelo governo federal já realocou mais de 38 mil pessoas desde Boa Vista para cerca de 600 municípios brasileiros, o podcast é uma ferramenta estratégica de informação atual e confiável, estando disponível nos diversos agregadores de podcast.

A produção conta com a participação de acadêmicos vinculados à Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), uma iniciativa do ACNUR que existe desde 2003 e que atualmente reúne 23 instituições de ensino superior.

A Cátedra tem o objetivo de difundir no ensino universitário os temas relacionados ao refúgio, promover pesquisas e implementar iniciativas que facilitem o processo de integração das pessoas refugiadas no Brasil.

Os seguintes profissionais integram a equipe de produção do podcast:

Coordenação: Miguel Pachioni (ACNUR)
Produção: ACNUR (Miguel Pachioni e William Laureano); PUC-Minas (Profs. Danny Zahreddine e Duval Fernandes); UFES (Profa. Brunela Vincenzi); UNICAMP (Profa. Ana Carolina Maciel e Mariana Hafiz); UFSM (Profa. Giuliana Redin, Gianlluca Simi e Nathália Costa) e Carlos Escalona (jornalista venezuelano)
Arte: PUC-Minas (Daniele Batemarque e Camila Seabra)
Edição de som: ACNUR (Miguel Pachioni), UNICAMP (Mariana Hafiz), UFSM (Gianlluca Simi) e UFES (Alex Rosa de Andrade e Hélio Marchioni)
Vozes das vinhetas: Leonardo Matumona (músico da República Democrática do Congo) e Oula Al-Saghir (artista da Palestina/Síria)

Todos os episódios estarão disponíveis no site do ACNUR Brasil e nos principais agregadores de podcast.

OS POVOS INDÍGENAS NO MUNDO E O COMBATE A COVID-19


Fonte: ONU - BRASIL


A COVID-19 é uma grave ameaça para os povos indígenas do mundo, num momento em que muitos também estão lutando contra os danos ambientais causados pela ação humana e várias formas de exploração econômica.

O alerta foi feito pela alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, para a ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo (9 de agosto).

Em quase todos os 90 países onde vivem, frequentemente em locais remotos, muitas comunidades indígenas têm acesso inadequado a cuidados de saúde, água potável e saneamento, salientou.

"O seu modo de vida comunitário pode aumentar a probabilidade de contágio rápido, embora em todo o mundo tenhamos visto exemplos inspiradores de comunidades indígenas tomando medidas baseadas na sua forte organização interna para limitar a propagação do vírus e reduzir os seus impactos."

"Aqueles que vivem em ambientes mais urbanos sofrem com frequência com a pobreza multidimensional, danos que são agravados por uma severa discriminação – inclusive no contexto dos cuidados de saúde", declarou.

Nas Américas, mais de 70 mil indígenas foram infectados pela COVID-19, sendo 23 mil integrantes de 190 povos da Bacia do Amazonas.

Houve mais de 1 mil mortes, entre elas a de vários anciãos com profundo conhecimento de tradições ancestrais, incluindo a trágica morte no Brasil esta semana do cacique Aritana, do povo Yawalapiti.

Nesta vasta região que abrange áreas de Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, 420 ou mais povos indígenas vivem em terras que estão cada vez mais danificadas e poluídas pela mineração ilegal, exploração madeireira e agricultura de corte e queima.

Apesar de regulamentações restritivas, muitas destas atividades econômicas ilegais têm continuado nos últimos meses. A movimentação de missionários religiosos também expõe as comunidades a um elevado risco de infecção.

"Os povos indígenas que vivem em isolamento voluntário das sociedades modernas – ou que se encontram nas fases iniciais de contato – podem ter uma imunidade particularmente baixa a infecções virais, criando riscos especialmente agudos", disse Bachelet.

"As comunidades e povos que foram forçados a abandonar suas terras são também muito vulneráveis, particularmente aqueles que vivem em territórios transfronteiriços."

Em junho, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) emitiu orientações sobre os direitos humanos dos povos indígenas no contexto da COVID-19.

O documento destaca práticas promissoras adotadas por vários países – muitas em estreita consulta com os povos indígenas – e enfatiza recomendações práticas com impacto imediato e a longo prazo sobre a saúde.

"De modo geral, a pandemia ressalta repetidamente a importância de assegurar que os povos indígenas possam exercer os seus direitos de autogoverno e autodeterminação", disse a alta-comissária da ONU.

"Eles devem também ser consultados e devem poder participar na formulação e implementação de políticas públicas que os afetam, através de suas entidades representativas, líderes e autoridades tradicionais."

Segundo ela, trata-se de salvar vidas e proteger "uma preciosa rede de culturas, línguas e conhecimentos tradicionais que nos ligam às raízes profundas da humanidade".

"Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, meu escritório compromete-se a trabalhar com os povos indígenas, bem como com a Organização Mundial de Saúde, as equipes das Nações Unidas nos países, os mecanismos de direitos humanos da ONU, e os Estados, para apoiar uma melhor proteção dos seus direitos humanos fundamentais", concluiu.

CURSOS ONLINE PARA EMPREGABILIDADE DE JOVENS



 As informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros. Foto: UNESCOAs informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros. Foto: UNESCO

     As informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros. Foto: UNESCO

Fonte: ONU - BRASIL



UNESCO lança cursos online para 

apoiar empregabilidade

 de 1 milhão de jovens no mundo


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lançou no mês passado a Academia Mundial de Habilidades, cujo objetivo é apoiar a empregabilidade e as habilidades de resiliência de 1 milhão de jovens no mundo todo.

Os cursos online também visam ajudá-los a encontrar trabalho durante a recessão iminente, quando as perspectivas de emprego dos jovens parecem sombrias.

Os membros da Coalizão Global de Educação da UNESCO, lançada em março para apoiar os países a desenvolver soluções inclusivas de aprendizagem, estão se unindo para oferecer aos jovens oportunidades de adquirir habilidades digitais e outras competências por meio do acesso gratuito a programas de desenvolvimento de habilidades online.

As ofertas dos parceiros serão agrupadas na Academia Mundial de Habilidades, de modo a fornecer um acesso único às oportunidades de treinamento.

Contribuirão para o projeto os parceiros fundadores, incluindo Coursera, Dior, Festo, Huawei, IBM, Microsoft, Orange Digital Centers e PIX, além de organizações internacionais e outros parceiros, como Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Torneio Internacional de Educação Profissional.

A Academia funcionará por meio de um processo de correspondência coordenado pelo Centro UNESCO-UNEVOC, a rede mundial da UNESCO para instituições especializadas em educação técnica e vocacional.

As informações detalhadas sobre os treinamentos disponíveis serão compartilhadas com os 250 Centros UNESCO-UNEVOC, em mais de 160 Estados-membros.

Os Centros identificarão os participantes interessados e os conectarão às plataformas de treinamento dos membros da Coalizão. Uma prioridade será alcançar os estudantes desfavorecidos.

“A crise destacou a urgência de dotar os jovens com as habilidades certas para acelerar a transição para economias mais inclusivas, sustentáveis e resilientes”, disse Stefania Giannini, diretora-geral adjunta de Educação da UNESCO.

“Isso requer um investimento maciço em educação e capacitação, bem como parcerias ampliadas com os empregadores para reduzir a distância entre a demanda por habilidades e os locais de trabalho.”

O impacto da pandemia na educação e no emprego tem sido dramático. Os estudantes matriculados em instituições de treinamento e os aprendizes foram particularmente afetados pelo fechamento dessas instituições, pois são mais dependentes do treinamento prático e do acesso a máquinas e equipamentos (hardware), disponíveis apenas em centros de treinamento e locais de trabalho.

Habilidades em áreas como análise de dados, computação em nuvem, inteligência artificial e aprendizado de máquina são procuradas nos mercados de trabalho em todo o mundo, mas muitos sistemas de educação e treinamento carecem das capacidades necessárias para preparar os jovens para o emprego nessas áreas.

As contribuições dos parceiros fundadores são as seguintes:

Coursera: Iniciativa de Recuperação da Força de Trabalho (Workforce Recovery Initiative), curso online para recapacitar trabalhadores desempregados para que sejam capazes de entrar novamente no mercado de trabalho.
Dior: programa Women@Dior, um programa de liderança educacional em torno de quatro valores fundamentais: autonomia, inclusão, criatividade e desenvolvimento sustentável.
Huawei: programa Tech4All, um treinamento de habilidades digitais e MOOCS, que cobre áreas como inteligência artificial, big data e internet das coisas.
Festo: módulos de e-learning em tecnologia hídrica e gestão de águas residuais.
IBM: acesso gratuito a plataformas que fornecem treinamento sobre tecnologias emergentes, aprimoramento e capacitação de jovens e adultos.
Microsoft: cursos online e ferramentas do mundo real, ambos gratuitos, para desenvolver habilidades em tecnologias que ajudam estudantes e candidatos a emprego a terem sucesso em um mundo pós-COVID.
Orange: Centros Digitais Orange para o desenvolvimento de habilidades digitais e o Orange Campus Services, que permite acesso gratuito a cursos online, na África e no Oriente Médio.
PIX: plataforma para avaliar, desenvolver e certificar habilidades digitais.